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11/02
Carta de D. Maria Lúcia
Eu não conheço Dona Maria Lúcia. Ela chegou em minha vida através de uma carta endereçada à Canção Nova. Quis partilhar com vocês o conteúdo de suas palavas. É um jeito de agradecer às inúmeras manifestações de carinho e respeito que tenho recebido das pessoas que me acompanham.
São as palavras de uma professora que eu gostaria de ter tido como mestra.
Com minha benção,
Pe. Fábio de Melo.

"Meu querido padre Fábio. Eu ainda não sei ao certo o que desejava o repórter. Arrisco dizer que ele não saiu de casa desejoso de noticiar coisas boas. Também não pude perceber compromisso com a verdade. Exemplo disso foram as luzes que maldosamente colocaram em seus cabelos, através de recursos de computador. Eu o vejo toda semana na Canção Nova e por isso sei que foi recurso de maldade.

A reportagem se limitou a falar de nossa música cristã como se falasse das últimas fofocas do mundo das celebridades. Adjetivos irônicos, atingidos por um ranso que pertence ao grupo social que se diz inteligente, crítico, e que por isso não é capaz de reconhecer valores nas pessoas que fizeram pacto com os princípios religiosos.

Eu me senti ofendida. Eu também estava no Canecão por ocasião da gravação de seu precioso trabalho. Apesar de estar no auge dos meus oitenta e dois anos, asseguro-lhe ser ainda possuidora de excelente audição. Engraçado, mas em nenhum momento pude ouvir da platéia algum gracejo ou palavra que pudesse ferir o que lá esperávamos do senhor: seu ministério sacerdotal! Muito pelo contrário, o que pude ver foi o comprometimento de um público que sabia muito bem o porquê de estar ali. Não éramos expectadores, mas participantes de um momento raro onde a boa notícia do evangelho estava sendo dada com primor, elegância e bom gosto.

Lamento muito, meu querido padre, que o repórter tenha nos classificado de maneira tão desonesta. Não éramos um bando de histéricos naquela noite. Éramos um grupo de cristãos que acredita na Vanguarda de sua proposta. Éramos um grupo de pessoas que acredita na possibilidade de uma renovação eclesial, pela força de um discurso inteligente, profundo e sensível aos desajustes de nosso tempo. Naquela noite no Canecão, juntos nós rezamos, choramos e nos alegramos.

Querido padre Fábio, sou professora aposentada. Fiz de minha profissão um apostolado. Ensinei desde a minha mocidade. Fiz ler, fiz escrever, fiz compreender. Acreditei e continuo acreditando que o aprendizado é uma das coisas mais encantadoras que nós podemos desfrutar na vida. Vencer a ignorância, alcançar o conhecimento das coisas, ultrapassar os limites. Sempre fiz um esforço danado para mostrar aos meus alunos que a vida dos outros merece respeito, e que nossas palavras precisam ser medidas para que não cometamos injustiças.

Ao me deparar com a reportagem sobre os cristãos que cantam a fé, tive uma sensação de batalha perdida, de barco naufragado. Senti vontade de abraçar a Adriana, a jovem Jack que até então não havia conhecido, Aline Barros, Fernanda Brum. Tive vontade de correr atrás de vocês e pedir que não deixassem que a ironia das palavras atingisse o ânimo de seus corações. Gostaria de recordá-los, que por mais que seja grande o volume de dinheiro que o mercado religioso possa levantar, que vocês nunca se esqueçam das almas que se levantam pela força do ministério que Deus lhes confiou.

Meu querido padre, permita-me lhe chamar de filho. Eu o conheci antes dessa grande repercussão de seu trabalho. Foi com olhos desconfiados que o enxerguei pela primeira vez. "Não pode ser um padre!" - comentei com minha irmã que agora também o ama. Você falava de Drumonnd de Andrade, meu autor predileto. Mas ao mesmo tempo falava de Jesus, meu modelo de vida. Suas palavras me mostraram um cristianismo que eu nunca poderia ter morrido sem conhecer. Deixei cair por terra os meus preconceitos e me transformei numa divulgadora de sua obra.

Padre Fábio, sempre soube que você é um homem vaidoso, afinal nunca nos escondeu isso. Fala em suas palestras, brinca sobre o assunto em seus programas, e até nos motiva a ficarmos mais bonitos, por dentro e por fora. Minha netinha sempre me diz que eu devo cuidar das minhas unhas, pois o padre Fábio disse que é importante...

O principal o senhor já tem. É consciente das fragilidades que possui e as partilha conosco. Assim a gente se compromete a não passar dos limites. Você daí e nós daqui. Juntos vamos divindo a luta diária, o altar que nos coloca na mesma intenção, como o senhor tão bem nos ensina.

Quero lhe pedir, com autoridade de mãe, que você continue firme. Continue abrindo as portas para que outros possam levar a boa música cristã ao palco do Canecão e de todos os grandes espaços reservados à cultura. Continue ajudando na construção da nova identidade cristã, pregada com rostos jovens, calças legs ou jeans, camisetas e relógios bonitos.

Só não se esqueça de uma coisa. A razão que nos faz sair de casa, enfrentar a violência de nossa cidade, ficar plantada na fila, tomando chuva, voltando de madrugada como se ainda tivéssemos vinte anos, não é o aparato que construíram ao seu redor, mas sim, o rosto e a voz de Cristo, que por meio de seu talento e admirável vocação sacerdotal e artística, repercutem em nós, através de sua alma.

Padre, continue nos dando o Cristo. Ele é o que há de mais bonito no senhor. O resto é consequência.

Quanto à revista, não se preocupe. Ela não costuma falar bem de ninguém. Sempre foi assim! O importante é a gente não deixar que a mentira e a ironia prevaleçam sobre a verdade e o repeito.

Fica com Deus.

Desejosa de sua benção, sua filha espiritual,

Maria Lúcia."
        Créditos Produção executiva: Talentos Produções
Gerenciamento de Conteúdo: Andréia Mansur
Design, Programação PHP, Tableless, Fotos e Administração: Maurício Lafourcade
| by Mauricio Lafourcade